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Fechamento de teatros em Belo Horizonte é debatido na Assembleia de Minas

Deputada estadual Ione Pinheiro foi a autora do requerimento que deu origem à audiência pública Deputada estadual Ione Pinheiro foi a autora do requerimento que deu origem à audiência pública Foto: Sarah Torres/ALMG

O fechamento de dois espaços cênicos em Belo Horizonte foi tema de audiência pública na Assembleia Legislativa, convocada pela deputada estadual Ione Pinheiro (DEM). Em funcionamento há 25 anos na Rua da Bahia, no Centro da capital mineira, o Teatro da Cidade fechou suas portas no dia 31 de julho, alegando falta de recursos. Pelo mesmo motivo, o Teatro Kleber Junqueira, localizado no bairro Calafate, em Belo Horizonte, ameaça encerrar suas atividades também neste ano.

Pedro Paulo Cava, diretor e fundador do Teatro da Cidade, afirmou que há dois problemas que o fizeram fechar o espaço. O primeiro diz respeito ao terreno onde está localizado o teatro. Cedido por uma construtora que faliu anos mais tarde, o terreno é atualmente objeto de imbróglio judicial. O tombamento imaterial do espaço no ano passado não impediu que o imóvel fosse a leilão para saldar dívidas. O segundo é a dificuldade de captação de recursos. Desde 2012, o espaço não recebe recursos do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac).

“A política cultural brasileira hoje se encontra engessada por esse modelo partidário e que depende da burocracia. O fechamento dos espaços é só um sintoma disso. Você não sabe na mão de quem cai o seu projeto. Pode conseguir a captação ou não”, lamentou Pedro Paulo Cava.

Segundo Kleber Junqueira, diretor e fundador do teatro que leva seu nome, o local sobrevive, há mais de quatro anos, somente de recursos privados. Com capacidade para 484 pessoas, o teatro recebe, em média, mais de 500 mil espectadores por ano; a maioria crianças de escolas públicas da capital e de cidades da Região Metropolitana, por meio do Projeto Teatro para Todos, em que os espetáculos têm preço único de entrada: R$7. Mais de 24 cidades da Região Metropolitana participam do Projeto. “Nesses 11 anos, estamos bancando sozinhos o teatro. Queríamos uma parceria efetiva, sem politicagem. Nossa política cultural foi privatizada. Nossos espetáculos estão sem patrocínio. Sinto que estamos sendo boicotados pelos burocratas”, Kleber Junqueira.

Kleber Junqueira também se queixa de que a Prefeitura de Belo Horizonte está dificultando a obtenção de recursos mesmo depois do teatro ter sido agraciado, em outubro de 2014, com o título de Patrimônio Imaterial da Cidade. O fundador do teatro coloca que a “a Fundação Municipal de Cultura (FMC), disse que isso facilitaria nossa relação com as leis de incentivo. Só que fomos surpreendidos com a negação da Fundação em nos permitir recursos através da lei municipal. A gente não quer uma verba, mas um convênio que possa manter e potencializar o trabalho do teatro", afirma.

O diretor de Artes Cênicas e Música da Fundação Municipal de Cultura (FMC), Cássio Batista Pinheiro de Barcellos, afirmou que a Prefeitura de Belo Horizonte tem feito grandes esforços pela cultura na cidade, mas a falta de um marco legal federativo que permita investimentos maiores na área. “Estamos realizando diversas ações para descentralizar a cultura em Belo Horizonte. No entanto, temos uma dívida centenária. Os Planos Estadual e Federal de cultura são grandes avanços, mas sem um marco legal, a coisa não irá para a frente. Se não colocarmos dinheiro público diretamente, o fechamento não só desses espaços, mas de muitos mais, será realidade”, afirmou Cássio Batista.

Autora do requerimento que deu origem à audiência, a deputada Ione Pinheiro (DEM) destacou que a Comissão de Cultura já teve vitórias em causas que pareciam perdidas, como a continuidade do Teatro Klauss Viana. “É o povo que está perdendo com o fechamento desses espaços, as crianças que estão ficando órfãs de cultura. Temos de nos mobilizar em busca de uma solução. Não podemos fechar os olhos e fingir que nada está acontecendo”, cobrou a deputada.