1. 0
« »

Para mais mulheres na política, só a cota não basta; é preciso consciência e coragem

Para mais mulheres na política, só a cota não basta; é preciso consciência e coragem Foto: Alexandre Almeida/Assessoria

O Ciclo de Debates realizado aqui na Assembleia de Minas, no dia 13 de março, que se propôs a ouvir o que querem as mulheres de Minas e debater Reforma Política, Igualdade de Gênero e Participação, continua a repercutir. Nesta terça-feira, dia 24 de março, participei de mais uma reunião com as deputadas da Casa e com um sem-número de mulheres interessadas em aumentar o número de mulheres na vida política. Sobre esse assunto, tenho opinião formada e certa experiência que creio poder compartilhar. Considero importante o sistema de cotas que determinou a reserva do mínimo de 30% e do máximo de 70% para o registro de candidaturas de cada sexo. Entretanto, é indiscutível que essa regra não influenciou o aumento de mulheres que ocupam cadeiras nas casas legislativas de todo o País. É preciso uma mudança de mentalidade. Sobretudo da própria mulher.

Afirmo isso por ser evidente que muitas mulheres somente se candidatam a cargos públicos para cumprir a cota estabelecida por lei, sendo assim denominadas como “laranjas”. Dessa forma, o partido cumpre com a determinação legal e pode, enfim, registrar a candidatura de seus principais concorrentes às cadeiras - que, no caso, são homens em sua maioria. É preciso que a mulher lute contra essa brecha no sistema, que ela reivindique seu espaço na política e que não aceite ser tratada pelos partidos políticos como um número para preenchimento de vagas. A verdadeira mudança está aí, na oposição ao machismo que continua presente e, principalmente, na recusa ao patriarcado. Tenho convicção que a luta feminina, que há tempos vem produzindo alterações profundas na sociedade, irá alcançar mais essa conquista. É imprescindível a presença de mais mulheres para termos, de fato, um Brasil melhor, mais justo e igual.

Por Ione Pinheiro